CONFUNDIR-SE É UM ERRO. CONFUNDIR É PRECEITO DE TALENTO INCOMPREENDIDO.
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Bandeira 2



Gritou até faltar-lhe a voz, ora pelo pai, ora pelo filho. Orou pelos dois.
Fincou as unhas nele, no menino.

Um tiro. O último gesto de afeto. Sujou o tapete de pontas dobradas, verde e vermelho não combinam. Um caldo grosso escorreu até a porta, saiu entre os soluços, entre a multidão de urubus atraídos pelo cheiro da pólvora.

                                                 F-R-E-S-C-O!

A última palavra que ficou como nota longa, acentuada, batendo no coco do menino. Adriano, em nome do pai, o nome do filho. A mãe espremida entre a tevê e o sofá, apertou os olhos e ficou muda, a preta estava branca, branquinha.

O garoto fugiu, escafedeu-se, o revólver ficou em alguma esquina dessas, numa quebrada. Os urubus já deram conta da notícia: "o pai não concordava com a 'viadagem' do menino. Tinha quinze ou ia fazer, não, não, quinze, quinze anos. Foi no peito, matou o pai e fugiu com um fresco velho lá de cima, o macumbeiro, vizinho de Nô. Eita! Seu Nicanor da barraca. Da barraca que vende cerveja." 

Diadorim Sant'anna