Um congestionamento em meu peito, um nó na garganta
que as poucos se transforma em versos e prosas desimportantes.
Tudo é dor. Tudo sobra. Tudo desorienta.
Só mesmo o caos de nossa humanidade desajeitada é que meus olhos conseguem ver.
Por onde passo há sempre os mendigos que eu não vou ajudar,
as crianças com quem eu não vou brincar, o lixo que eu não vou recolher.
Na correria da cidade há sempre os cartazes que eu vou ignorar,
as árvores que eu não vou abraçar, o sorriso que eu não vou receber,
o animal que eu não vou reparar, a injustiça que eu não vou defender,
o carinho que eu não sei retribuir. Por onde meus pés caminham
há sempre as certezas que eu nunca vou ter, a sabedoria que eu não sei ensinar,
os malabarismos que eu não sei fazer, a fome que eu não sei como alimentar,
o amigo que eu não vou reconhecer...
Aqui dentro onde só faz frio, há sempre o gelo que eu não consigo derreter,
o abrigo que eu não sei encontrar e o amor que eu ainda não aprendi a merecer.
Josima Souza - Mazes









