CONFUNDIR-SE É UM ERRO. CONFUNDIR É PRECEITO DE TALENTO INCOMPREENDIDO.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Crônica Post Mortem


Dormir e acordar é uma rotina tão comum que se confunde com a contradição de malhar e depois comer frituras, ou então, o complemento básico de se sujar e depois tomar banho. Dormir e acordar pode ser tão profundo quanto adormecer para a vida e nascer para a morte, num curto intervalo que pode custar uma eternidade.

Deitei na minha cama, passei horas observando as paredes azuis do meu quarto, ao som do silêncio inconfundível da noite. É incrível o poder que a morte tem de nos dar a medida exata do quanto amamos uma pessoa e de como, às vezes, esse amor se manifesta intensamente só quando a perdemos.

Somos todos muito ocupados com nossas coisas. Precisamos aumentar a produção para aumentar nosso salário, precisamos das melhores notas nas provas, precisamos aumentar nossa rede de contatos sociais, precisamos de um computador e um aparelho de celular mais moderno, precisamos de pessoas para nos admirar e outras para nos invejar, precisamos estar sempre procurando o pódio da profissão que exercemos, seja por vaidade ou por necessidade, precisamos de tempo para academia, precisamos de tempo para ficarmos sozinhos, apenas matando tempo. Haja tempo para tantos tempos. 

Somos egoístas por natureza e individualistas por necessidade. Quase não lembramos de falar para as pessoas que amamos o quanto a amamos. Há um ditado popular que diz: Um gesto vale mais que mil palavras. Todos os dias e a cada minuto a vida nos dá oportunidades de sermos melhores com aqueles que nos circundam. Há tantos pequenos gestos , há tantas formas de fazermos hoje o que a incerteza do amanhã pode nos impedir de fazer. Vez em quando recebemos uma triste notícia de que alguém especial se foi. Quantos amigos, quantos parentes, quantas pessoas ligadas direta e indiretamente às nossa vidas, que partem para a mais longa das viagens. A marcha fúnebre é implacável com todos. Hora natural e calma, hora lenta e agonizante, hora rápida, cruel e estúpida.

- O que pensar da teoria dos exercícios físicos, quando um atleta saudável morre em plena competição, sem nenhuma explicação convincente?
- O que pensar da teoria da preparação pedagógica pro futuro, quando muitos professores são assassinados em salas de aula?
- O que faremos com a teoria da probabilidade, quando um fiel é atropelado na porta da igreja, por um motorista bêbado?

Nada podemos fazer diante das fatalidades. Como disse certa vez Albert Einstein: A teoria sempre acaba, mais cedo ou mais tarde, assassinada pela experiência. A parede azul, por alguns instantes, ficou sem cor, como se num lance muito rápido eu estivesse olhando para o nada, para o infinito. 

A cabeça doía por causa das horas seguidas de choro reminiscente, as pálpebras pesavam e eu mais uma vez pensei: Dormir e acordar é um curto intervalo que, às vezes, custa uma eternidade. A partir de amanhã não quero perder as tantas oportunidades que a vida me dá, para dizer para meus amigos que estão vivos, o quanto morro de amor por eles. Sei que a vida é um livro em branco, para cada homem escrever sua história , sendo a morte, a mulher fatal, que pode num simples golpe, encharcar as páginas de lágrimas e sangue.

Na minha lista de email’s, na agenda do meu celular, no meu trabalho, na minha rua, na minha casa e em todos lugares onde passo neste mundo, lá estão eles; meu amigos. Certa vez disse Madre Tereza de Calcutá: Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz. Mais uma vez ela estava certa. De hoje em diante quero ser melhor com meus amigos.  A madrugada, de tão calma, parece me acalmar. Agora me sinto mais leve. Hora de cobrir as pernas, apagar a luz e adormecer. Boa noite, preciosa vida minha.

10 Comentarios:

Anônimo disse...

você escreve muito bem,parabens
Estou ajudando uma amiga minha com a divulgação do blog dela, ficarei grata se puder seguir e comentar ! http://gihcamp.blogspot.com/

Silvia Oliveira disse...

Bom o texto,me identifiquei com "professores assassinados em sala de aula"

N@aty disse...

Gostei da sua cronica. Principalmente quando diz:

"Somos egoístas por natureza e individualistas por necessidade."

Abraços!

Interatividade Oculta disse...

Oi
Muito legal o blog,
Gostei bastante do conteúdo...
Seguirei também...

Abraço

Se quiser acessar, fique a vontade.

http://interatividadeoculta.blogspot.com

Bárbara Cristina disse...

Gostei muito da crônica!Ótima escrita!!
=**

pisovelho.com.br disse...

Somos escravos de uma sociedade consumista. Quem fala que não é, gosta de ser enganado.
Porém, nosso diferencial é como tratamos esta escravidão.

Rafael Queiroz disse...

ótima crônica, gostei muito da temática.
boa mensagem, temática interessante e ótima formatação, o texto conseguiu me prender do início ao fim.
Falar da maldita rotina sempre dá certo, e ainda mais numa crônica criativa (:
ótimo post

Victor Pagani disse...

Gostei muito e uso a frase da madre como algo a seguir, afinal, não sabemos o que vai acontecer daqui algumas horas, minutos ou segundos :)

[]'s

Elmo Freitas disse...

Aninha Marques, e suas crônicas sempre bem escritas.

Abraços!

Ana Paula Moreto disse...

Adorei sua postagem, tanto o modo como foi escrita quanto o assunto.
É uma otima leitura e ainda mais se tratando de um assunto tão complexo e que muitas vezes passa despercebido em nosso dia-a-dia, esquecemos facilmente do verdadeiro sentido de viver e fazer da vida o melhor, esquecemos que a oportunidade de fazer a diferença com o próximo esta no presente e que a mais triste fatalidade pode estar proxima a nos e de nossos amigos, parentes, ou qualquer outro rosto desconhecido.
Muito boa a crônica! Parabéns!

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"Nunca houve no mundo duas opiniões iguais, nem dois fios de cabelo ou grãos. A qualidade mais universal é a diversidade." (Michel de Montaigne)
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